Arcebispo presidiu a celebração do Domingo de Ramos na Catedral

A concelebração eucarística do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, 14 de abril de 2019, reuniu os fiéis na Catedral Metropolitana de São Sebastião, em Ribeirão Preto, às 8 horas, local da bênção dos ramos e procissão. Por motivo da chuva a programação se concentrou na Igreja. Concelebraram o pároco da Catedral padre Francisco Jaber Zanardo Moussa; o vigário paroquial padre Igor Fernando Madolosso de Lima; o mestre de cerimônias do sólio, padre Antônio Élcio de Souza (Pitico), e serviu nas funções litúrgicas o diácono João Paulo Tarlá Júnior. Na porta de entrada da Catedral, o arcebispo dom Moacir Silva, abençoou os ramos e, após a proclamação da leitura do Evangelho, houve o início da procissão pelo corredor central da Catedral e a continuidade do rito da missa.

Na homilia, Dom Moacir, explicou o sentido da celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. “No Domingo de Ramos, da Paixão do Senhor, a Igreja entra no mistério do seu Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado que, ao entrar em Jerusalém, prenunciou a sua majestade. Comemoramos a entrada do Senhor em Jerusalém pela Bênção e Procissão de Ramos ou pela entrada solene das outras missas.  Os ritos do Domingo de Ramos refletem a exultação do povo à espera do Messias, mas, ao mesmo tempo, caracterizam-se em pleno sentido como Liturgia ‘da paixão’. Com efeito, eles abrem-nos a perspectiva do drama já iminente, que acabamos de reviver na narração do evangelista Marcos. Também as outras leituras nos introduzem no mistério da paixão e morte do Senhor. Também os textos da missa chamam nossa atenção para o mistério da Paixão do Senhor. Inocente, Jesus quis sofrer pelos pecadores. Santíssimo, quis ser condenado a morrer pelos criminosos. Sua morte apagou nossos pecados e sua ressurreição nos trouxe vida nova, e aqui está o sentido profundo da nossa fé cristã”, explicou o arcebispo.

De acordo com dom Moacir, a Primeira Leitura (Is 50,4-7), apresenta a figura do Servo Sofredor como expressão da Paixão do Senhor. “Na primeira leitura encontramos a figura do Servo Sofredor, que passa pela humilhação de ser surrado, esbofeteado, cuspido no rosto; mas ele não reagiu: continuou confiando no Senhor. Esta profecia se cumpre plenamente na Paixão do Senhor. Jesus, o Servo sofredor, que faz da sua vida um dom por amor, mostra aos seus seguidores de todos os tempos o caminho, a vida, quando é colocado ao serviço da libertação dos pobres e dos oprimidos não é perdida, mesmo que pareça em termos humanos fracassado e sem sentido. Assim foi a vida de Jesus, parece que tudo terminou na cruz, no entanto a vitória sobre a morte veio logo”, esclareceu o arcebispo.

Na reflexão sobre a Segunda Leitura (Fl 2,6-11), o arcebispo exortou os fiéis a pensarem a respeito do esvaziamento de si mesmo, a exemplo de Jesus, que assumiu a condição de escravo, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz. “E nós, já experimentamos este processo de esvaziamento de nós mesmos? Ou continuamos cheios de nós mesmos, das nossas verdades, das nossas certezas, dos nossos pontos de vistas, dos nossos interesses do nosso egoísmo? Estou seguindo Jesus nesse mistério de esvaziamento? Enquanto não nos esvaziarmos de nós não existirá espaço dentro de nós para Cristo. É preciso seguir Jesus no mistério do seu esvaziamento”, destacou dom Moacir.

Na reflexão do Evangelho (Lc 23,1-49), dom Moacir, apresentou características salientadas pelo evangelista Lucas, entre elas: a bondade e a misericórdia de Jesus na narrativa da paixão, expressas em três situações: no momento da prisão quando repudia a violência, no caminho do calvário quando se preocupa com o futuro das mulheres que ali estão chorando a sua morte: “quantas mulheres hoje, mães e esposas que choram por consequência da violência de seus filhos ou maridos? Basta ver os noticiários e vermos tantos casos retratados da violência contra as mulheres”, apontou dom Moacir; e por último, no calvário crucificado, Jesus se comove com a solidariedade manifestada pelo ladrão crucificado ao seu lado, e diz a ele o que todos nós e todos santos gostaríamos de ouvir na nossa hora final, na passagem deste mundo para Deus: “hoje mesmo estará comigo no paraíso”. 

E ao concluir a homilia, o arcebispo convidou os fiéis a viverem com intensidade e fé a Semana Santa. “Aproveitemos esta Semana Santa para contemplar o infinito amor de Deus por nós revelado no Mistério da Paixão do Senhor e aprender dela as grandes lições para a nossa vida. Que o Senhor nos ajude nesta contemplação ao longo desta semana e sempre. Amém!”, concluiu dom Moacir.